O poder da fé, é a força mais elevada que a alma tem

     Fazer as coisas nesse mundo de acordo com a lógica, com o que é racional, com o que é razoável, com o que é aceito como bom, etc... a gente sabe que é fácil. Agora, fazer as coisas de acordo com a fé, é um outro assunto. Porque fé, é um assunto transcendental. Fé transcende o racional. Portanto a “lógica” da fé, não sei se a gente pode usar a expressão dessa maneira, ela é diferente da lógica racional. A lógica racional é uma lógica baseada na experiência do homem em lidar com o mundo físico. A fé trabalha uma outra dimensão, aonde a sua experiência normal de vida, pode ou não, ser relevante em algum momento de sua vida nessas questões de fé. A fé tem, vamos chamar assim, “outros parâmetros”.

 

     Um assunto central de todos os escritos judaicos, toda a Torá, os sábios, os mestres etc, obviamente é sempre o assunto de fé. Fé é tudo, porque tudo depende de fé. Fé é um assuntos simples e ao mesmo tempo difícil, complexo. A gente diz que o poder da fé, é o aspecto, o poder também, a força mais elevada que a alma tem.

 

         De fato, um assunto que é levantado para os B’nei Nôah, é se existe uma obrigação, a questão da gente discutir isso, para que eles tenham fé em D-us. Você fala, poxa como é que pode existir uma dúvida dessa natureza,  se existem uma série de mandamentos que os B’nei Nôah, precisam cumprir, e suas várias ramificações? Aí a gente tem que entender, que muitas vezes, preceitos, mandamentos, são cumpridos, enquanto a pessoa, se desliga, não é o certo, mas acontece. Ela se desliga da sua consciência sobre D-us. Certo é uma verdade espiritual. Aí você pergunta: Mas então, porque alguém cumpriria um mandamento se não tá conectado com D-us? Evoluindo essa lógica? Porque muitas vezes, mandamentos são cumpridos por tradição, costume e até pressão grupal. Verdade. Um exemplo: devido à diáspora, essa é uma história conhecida, eu não vou entrar nos detalhes aqui, mas os judeus vivem numa diáspora. Isso é coisa antiga. E com a diáspora, houve um processo, para muitos, de assimilação. Assimilação a culturas, que são diferentes, do que a cultura original judaica.             Com isso, muitos perderam infelizmente, a prática espiritual do seu povo. No entanto, é conhecido pessoas, que apesar de terem perdido, essa prática e conexão com a Torá, e tendo passado já talvez, algumas poucas gerações, mas suficientes para que essas pessoas vivam de uma maneira secular, essencialmente, não é incomum você encontrar, alguém nessa condição, que por incrível que pareça, mantém alguma mitzvá, algum mandamento, mesmo que não entenda o contexto, esteja com a consciência constrita, esteja se ligando a coisas inapropriadas, etc, etc, etc... mas mantém, por exemplo, eu já conheci, mulheres que ascendem as velas de shabat antes de começar o shabat, dá início ao shabat, mas que não fazem mais nada, dos mandamentos da Torá, mas fazem isso. Porque? Porque receberam através das suas famílias, através da mãe, da avó, etc. Alguma coisa manteve dessa conexão espiritual tão importante. Então a pessoa, ela pode até não viver uma vida consciente de D-us, infelizmente, mas ela pratica um mandamento. Outros em situações parecidas podem fazer isso porque enfim uma pressão social. Frequentam um clube, e os grupos que essas pessoas frequentam, eles tem algumas dessas pessoas que são amigos, que tem o costume de cumprir uma mitzvá assim, então a pessoa acaba cumprindo também porque está em grupo etc, etc.

      Agora eu estou tratando dos judeus. No caso dos B’nei Nôah, é um pouco mais complicado. Porque? Porque atualmente no mundo, existem relativamente falando, poucos Bnei Nôah, é fato. Esse é um movimento, como nos explicamos, recentemente, que vem crescendo, mas vem crescendo a pouco tempo. Bom, se isso está na Torá, se outros já conheceram, outros não judeus conheceram esses fundamentos, essas mitzvot, porque que esses movimentos não cresceram antes? Aí é uma questão espiritual/histórica/sociológica, mas agora, nas últimas poucas décadas, poucas, nós estamos vivendo uma fase aonde esse movimento está crescendo. E é muito importante isso, porque os profetas do Tanach, da Torá, avisam que isso é um sinal, da vinda do Mashiach. Que seja em breve amém. É um dos sinais, aonde as nações, os não judeus, vão buscar, as pessoas especiais, que assim enxergarem isso, vão buscar se alinhar como povo judeu, com a Torá, da maneira que foi prescrita, as Sete Leis, etc, etc. Então é um bom sinal, obviamente. No entanto, sendo este grupo ainda restrito, as pressões sociais do próprio grupo, ainda são essencialmente inexistentes. É possível que, com o passar das gerações, se D-us quiser, no futuro, quando houverem, mais números dos Bnei Nôah, teremos comunidades estruturadas, etc. Locais de encontros dos Bnei Nôah, coisas realmente, que são possíveis de acontecer. E aí, talvez exista o elemento de pressão inclusive grupal, para que um se conecte mais com os mandamentos, etc, e as suas ramificações, e outras coisas que provavelmente vão se desenvolver disso, é fácil imaginar que vão existir, assim é o ser humano, provavelmente linhas de pensamento, mais místicas, menos místicas, mas isso, mais aquilo etc, desde que eles se fixem nas obrigações da Torá, nas questões de debates filosóficos, bom, isso faz parte da humanidade, mas enfim, essas pressões que eu me referia hoje em dia elas não existem.

 

Como falar de fé é um assunto vago (na melhor das hipótese), e apesar de ser também um assunto que além de vago é também difícil de ser explicado, etc. Alguém pensaria: como é que a gente pode definir o que é fé de uma maneira a realmente a nos ajudar crescer nela? Graças a D-us, o grande, codificador da Torá o Rambam, Maimônides, há mais ou menos, 850 anos atrás, escreveu, compilou uma lista de treze princípios da fé judaica. Muito importante saber isso. E a gente acredita, que ele sendo basicamente, a maior autoridade da lei judaica, e do pensamento da Torá que nos já tivemos, realmente é algo que podemos aceitar, como definição. E é assim aceito no judaísmo, saibam vocês. E portanto é algo que pode e deve ser estudado, pelos B Bnei Nôah também. Importante saber isso. Porque senão nós estamos lidando só com abstrações muito vagas, opiniões: ”eu tenho fé você tem fé”. Então é importante a gente estudar e saber o que que realmente é isso.

 

Os treze princípios de fé, são os seguintes:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

       Essas são as treze ideias, os chamados os treze princípios de fé do Maimônides, que definem estas treze categorias, se você quiser dizer também, os parâmetros da fé.

1. D-us é o Criador, e é responsável, por tudo o que ocorre.
2. D-us é um.
3. D-us não é uma entidade corpórea, D-us é imaterial.
4. D-us é não temporal. Ele
não  tem  limite  de  tempo.
Passado presente e  futuro
é a mesma coisa pra D-us.
5. D-us unicamente deve ser adorado.
6. A profecia é algo verdadeiro. 
7. A profecia de Moshé, é primária e verdadeira, como está escrito na Torá, ele foi o maior de todos os profetas.
8. A Torá é completa. 
9. A Torá é eterna. 
10. Existe sim uma providencia Divina. 
11. D-us oferece recompensa e punição.
12. O Mashiach chegará.
13. D-us vai fazer com que os mortos tenham uma ressurreição no futuro.
 

    Autoridades depois do Maimônides, o Rambam, estabeleceram que estas treze, ideias ou treze princípios, podem ser agrupadas em três categorias básicas:

1ª Categoria: Fé na Unicidade e Singularidade do todo poderoso, do qual, vem os princípios de numero 1 à 5.

2ª Categoria: Fé na veracidade universal e eternamente duradoura da Torá, como uma expressão do desejo de D-us, e com isso vem os princípios de numero 6 à 9.

3ª Categoria: Fé na recompensa e punição baseada na conduta individual de cada um. Da onde vem os princípios de numero 10 à 13.

 

     Obviamente esses três pontos aqui categorias etc, são uma elaboração, do princípio fundamental de fé da unicidade absoluta de D-us. Aquilo que o judeu fala duas vezes por dia, chamado o Shemá Israel, que diz: “Escuta ó Israel, o S-nhor é teu D-us, o S-nhor é um”. Então tudo que nos falamos na verdade, é contido nesse prinípio básico de fé judaica, da unidade absoluta de D-us.

   Agora, veja bem: existem sete princípios, entre os treze, que fazem paralelo com as sete leis de Nôah. E isso é muito bonito e bom. Eu ou explicar porque. Porque, com exceção da sétima mitzvá dos Bnei Nôah, que é estabelecer cortes de justiça, todas as outras seis, são proibições. E quando a gente faz um paralelo encontrando a relação com sete princípios do Maimônides esses sete, todos que eu vou falar pra vocês, são afirmações, são positivo. Então quando você coloca cada lei dos Bnei Nôah, em relação a um princípio do Maimônedes de fá, você equilibra melhor a compreensão e o sentido essencial de cada mitzvá dos Bnei Nôah. Em vez de serem colocadas somente, sob o ponto de vista negativo, você esta colocando um elemento que a explica de modo positivo. Então agora você estabelece uma relação harmônica, de equilíbrio. E isso obviamente, só enriquece muito, a ligação do ben/bat Nôah, com estes princípios.

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